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STEP: A oportunidade de Portugal liderar na inovação tecnológica europeia

Num momento em que a tecnologia se afirma como fator determinante da independência económica e do posicionamento estratégico das nações, a Europa lança uma nova agenda de investimento: a Plataforma STEP – um instrumento para fortalecer a soberania tecnológica do continente. Portugal tem aqui uma oportunidade ímpar para se afirmar como um polo relevante em sectores de inovação crítica.


O que é a Plataforma STEP?
A Plataforma Estratégica para as Tecnologias Europeias (STEP) não é apenas mais uma iniciativa comunitária — é um quadro estratégico que une esforços em torno do investimento em tecnologias de futuro, com o objetivo de reforçar a autonomia industrial da Europa, reduzir vulnerabilidades externas e acelerar as transições ecológica e digital.

Reunindo onze programas europeus sob um mesmo chapéu, com uma verba adicional de 1,5 mil milhões de euros, a STEP propõe-se criar sinergias entre políticas públicas, inovação tecnológica e crescimento económico, num cenário de desafios geopolíticos e transformação acelerada.


Áreas prioritárias de ação

Tecnologias digitais e industriais avançadas

A STEP aposta em áreas tecnológicas cruciais, com o propósito de apoiar o salto da investigação para o mercado — o chamado "vale da morte" da inovação, onde muitos projetos falham por falta de investimento. Entre os sectores estratégicos incluem-se:

  • Microeletrónica e chips
  • Inteligência Artificial
  • Computação quântica e de alto desempenho
  • Robótica, redes móveis de nova geração (5G/6G)
  • Cibersegurança e infraestruturas digitais (cloud)

A ambição vai além da investigação científica: trata-se de criar indústria, gerar valor dentro das fronteiras europeias e garantir que o conhecimento se transforma em impacto económico — com empresas portuguesas incluídas.

Biotecnologia como motor de soberania
No campo das biotecnologias, a STEP define metas ambiciosas: reforçar a capacidade de produção farmacêutica na Europa, promover soluções para uma bioeconomia sustentável e assegurar autonomia na resposta a desafios sanitários.

Portugal pode destacar-se nesta frente, combinando competências em ciências da vida, engenharia e tecnologias digitais para criar polos de inovação e produção descentralizada de base científica.

Casos de sucesso na Europa
Projetos como a SPEEDCELL, dedicada à produção rápida de vacinas e anticorpos, ou a RoboPharma, com linhas robotizadas de fabrico farmacêutico, exemplificam o tipo de iniciativas que a STEP pretende apoiar. Apesar de Portugal ainda não estar representado nestes exemplos, eles demonstram o potencial transformador do programa e o tipo de impacto que se pode atingir com uma estratégia bem alinhada.

Instrumentos diferenciadores: o “Selo de Soberania”
Uma das inovações introduzidas pela STEP é a criação de um selo europeu de soberania tecnológica, que distingue projetos altamente alinhados com os objetivos estratégicos da UE. Este selo abre caminho a candidaturas mais ágeis, reforça a visibilidade junto de investidores e facilita o acesso ao financiamento comunitário.

Outra novidade é a maior flexibilidade no uso dos fundos da política de coesão, permitindo:

  • Apoio direto a grandes empresas;
  • Maior cofinanciamento em regiões menos desenvolvidas;
  • Estímulo à colaboração com startups, universidades e centros tecnológicos.

Estratégia de implementação em Portugal
Portugal está a preparar dois grandes concursos com foco STEP, com uma dotação global de 710 milhões de euros. As linhas de financiamento previstas incluem:

  • SICE – Inovação Produtiva – STEP Digital e Biotecnologia: Projetos orientados para a adoção de tecnologias críticas nos processos de produção, com impacto na produtividade, exportação e modernização industrial.
  • SIID – I&D&I Empresarial – STEP Digital e Biotecnologia: Apoio a iniciativas que combinem investigação e desenvolvimento com objetivos comerciais, promovendo tecnologias maduras e prontas a escalar.

Os concursos deverão abrir no último trimestre de 2025 e prolongam-se até meados de 2026, pelo que empresas e instituições devem desde já preparar candidaturas e alianças estratégicas.

Perspetivas e impacto esperado
A STEP é mais do que um mecanismo de financiamento — é uma agenda de transformação económica e tecnológica para a Europa. Em Portugal, poderá ser a chave para integrar mais empresas nacionais em cadeias de valor globais, alavancar talento científico e reforçar a base industrial do país.

É também uma chamada à ação: universidades, empresas tecnológicas e decisores políticos têm aqui a oportunidade de construir um novo ciclo de desenvolvimento baseado na inovação, autonomia e valorização do conhecimento.

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